Lá longe perco um pensamento,
perde-se com a brisa no ar,
dança e brinca com o vento,
cai e funde-se com o mar;
cai e toca o infinito,
esconde-se do tempo e do mundo,
embala-se surdo num grito,
que se devanesce num segundo.
Porque, como luz furtiva,
que de azul se enebria,
não somente se esquiva,
como quer parecer magia;
magia de ser incolor,
de beleza maior, forte,
de lançar longe a sua cor
e de saber que vence a morte
Com ele se sobe ao céu;
e se vo ao paraíso;
e ao ir ele, vou eu,
e ao subir, perco o juízo;
e viajo nas estrelas,
desço ao fundo do mar,
posso tocá-las ou só ve-las,
só preciso de pensar.
Posso noutro mundo viver,
onde o sonho me levar,
posso voltar a nascer;
posso tudo.....menos amar.......
terça-feira, 21 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
O Mar
Lanço um olhar,
que se perde no horizonte;
onde será a sua fonte?
onde nascerá o mar?
porque será ele transaparente
mas coberto de azul?
será que tal como gente,
destingue o Norte do Sul?
Será que as vagas que ondulam,
o alimentam devagar?
ou apenas o empurram,
para algures longe quebrar?
Talvez decubra um dia,
porque se une ele ao céu;
talvez até a brisa fria
nasça nesse fino véu;
em que se perde a saída,
onde se espelha o luar;
no mar, nasce a vida,
perco-me eu a pensar...
A pensar no que ele esconde,
nos segredos que, em sí, encerra,
em que, mudo, nunca responde,
nem ao Ar, ao Sol ou à Terra.
O mar é sábio major,
de beleza total e razão,
o mar é hirto de dor,
o mar não tem coração;
O mar é o gigante calado,
que afoga o mundo, embutido,
olha-nos atento e pasmado,
dá momentos, mas nunca abrigo;
O mar é a bravura selvagem,
é a bonança repousante;
o mar é a incerta viagem,
é a cantiga do trovante;
O mar é ódio, é amor,
é furacão de sentimento;
O mar sou eu, és tu, é a dor
e todos o temos por dentro....
que se perde no horizonte;
onde será a sua fonte?
onde nascerá o mar?
porque será ele transaparente
mas coberto de azul?
será que tal como gente,
destingue o Norte do Sul?
Será que as vagas que ondulam,
o alimentam devagar?
ou apenas o empurram,
para algures longe quebrar?
Talvez decubra um dia,
porque se une ele ao céu;
talvez até a brisa fria
nasça nesse fino véu;
em que se perde a saída,
onde se espelha o luar;
no mar, nasce a vida,
perco-me eu a pensar...
A pensar no que ele esconde,
nos segredos que, em sí, encerra,
em que, mudo, nunca responde,
nem ao Ar, ao Sol ou à Terra.
O mar é sábio major,
de beleza total e razão,
o mar é hirto de dor,
o mar não tem coração;
O mar é o gigante calado,
que afoga o mundo, embutido,
olha-nos atento e pasmado,
dá momentos, mas nunca abrigo;
O mar é a bravura selvagem,
é a bonança repousante;
o mar é a incerta viagem,
é a cantiga do trovante;
O mar é ódio, é amor,
é furacão de sentimento;
O mar sou eu, és tu, é a dor
e todos o temos por dentro....
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Morrer é
Não sei porque desatino,
mas talvez Ele o soubesse
quão tolo é o destino,
que, brincalhão, nos enlouquece;
que nos faz insandecer,
ao vislumbrar, perto, a sorte
e por ao vê-la, a querer
e ao perdê-la, ter a morte.
Pois, ainda que exista olhar,
não se pode dele viver,
nem se pode, sempre, sonhar,
mas não o fazer, é morrer....
Morrer é o fogo ateado,
que devora quem o nasceu;
é provar, doce, o pecado
e depois, perder o céu.
Morrer é ter de partir,
sem nunca ter chegado,
é ao infinito subir,
e descer sem ter achado...
Morrer é pensar que se sente,
sem nada se conhecer;
é ter algo dentro, dormente,
que tarda em aparecer...
Morrer é olhar a figura
e saber que nunca será;
é estar perdido, em parte escura,
esteja onde estiver, vá onde vá...
Morrer é quase tocar,
sem chegar, sem querer;
é ter a alegria de amar,
sem nunca a poder viver...
Morrer é olhar, pois, tao perto,
a candura abençoada;
é ver a água no deserto,
sem conseguir beber nada...
Morrer é a repetida vinganca,
que se arrasta e acompanha;
é ter, infame, esperança,
que se rascunha, mas nunca desenha...
Talvez, outrora, o Poeta,
soubesse do que eu, agora, falo;
talvez, no tempo que resta,
eu consiga aceitá-lo.
Pois mais que desaparecer,
abandonar a existência, partir,
morre-se mais, ao viver;
perde-se mais, ao sentir...
mas talvez Ele o soubesse
quão tolo é o destino,
que, brincalhão, nos enlouquece;
que nos faz insandecer,
ao vislumbrar, perto, a sorte
e por ao vê-la, a querer
e ao perdê-la, ter a morte.
Pois, ainda que exista olhar,
não se pode dele viver,
nem se pode, sempre, sonhar,
mas não o fazer, é morrer....
Morrer é o fogo ateado,
que devora quem o nasceu;
é provar, doce, o pecado
e depois, perder o céu.
Morrer é ter de partir,
sem nunca ter chegado,
é ao infinito subir,
e descer sem ter achado...
Morrer é pensar que se sente,
sem nada se conhecer;
é ter algo dentro, dormente,
que tarda em aparecer...
Morrer é olhar a figura
e saber que nunca será;
é estar perdido, em parte escura,
esteja onde estiver, vá onde vá...
Morrer é quase tocar,
sem chegar, sem querer;
é ter a alegria de amar,
sem nunca a poder viver...
Morrer é olhar, pois, tao perto,
a candura abençoada;
é ver a água no deserto,
sem conseguir beber nada...
Morrer é a repetida vinganca,
que se arrasta e acompanha;
é ter, infame, esperança,
que se rascunha, mas nunca desenha...
Talvez, outrora, o Poeta,
soubesse do que eu, agora, falo;
talvez, no tempo que resta,
eu consiga aceitá-lo.
Pois mais que desaparecer,
abandonar a existência, partir,
morre-se mais, ao viver;
perde-se mais, ao sentir...
domingo, 12 de julho de 2009
Silencio é...
Existe um, surdo, som maior
Que se eleva sobre a quietude,
Que se constrói por ser a dor,
Por ser isso e tudo mais, amiúde;
Que se confunde com a magia,
Que vive e respira sofrer,
Que é, um só tempo de alegria,
Ou então, nada mais é, do que ser.
Existe um surdo, som maior,
Às vezes choro, às vezes fé;
Às vezes tem de se pintar a cor,
Para saber aquilo que o silêncio é…
Silêncio, é a calma vazia,
Do som, que não se consegue ouvir,
É o silvo uniforme da ventania,
Que quebra a vontade, sem nunca ferir.
Silêncio, é o grito mais forte do mundo,
Saído de dentro do fundo do ser,
É o momento que antecede o segundo,
De tudo o que vale a pena viver.
Silêncio, é a vida de olhar inocente,
De quem um dia, irá isso perder;
É o mar dos olhos no horizonte ausente,
Quando chega a altura, de acontecer.
Silêncio, é ouvir o som do trovão,
Calar e esquecer, provar a loucura,
É nunca pensar com o coração
E perder-se para sempre, em qualquer parte escura.
Silêncio, é o amigo sempre leal,
Que, no traço insano, mostra o caminho,;
É a diferença entre o bem e o mal,
Entre o acompanhado e o sozinho.
Silêncio, é o fantasma da tortura,
O presente falso que dita a sorte,
É o grão e a semente da amargura,
E o momento final, antes da morte.
Silêncio, é o som quase calado,
Que fazem os lábios ao beijar;
É o suspiro fundo e agraciado;
Silêncio... é amar.
E é dentro que se solta a surdina,
De um pensamento a existir,
Avança afoito, qual criança ladina,
Teima em correr, chorar e sorrir;
E é por tal menina, travessa ser,
Que nunca se sabe o porquê do que se sente,
Resta-nos, só do silêncio saber,
Que procurando a verdade, em sí, nunca mente.
Que se eleva sobre a quietude,
Que se constrói por ser a dor,
Por ser isso e tudo mais, amiúde;
Que se confunde com a magia,
Que vive e respira sofrer,
Que é, um só tempo de alegria,
Ou então, nada mais é, do que ser.
Existe um surdo, som maior,
Às vezes choro, às vezes fé;
Às vezes tem de se pintar a cor,
Para saber aquilo que o silêncio é…
Silêncio, é a calma vazia,
Do som, que não se consegue ouvir,
É o silvo uniforme da ventania,
Que quebra a vontade, sem nunca ferir.
Silêncio, é o grito mais forte do mundo,
Saído de dentro do fundo do ser,
É o momento que antecede o segundo,
De tudo o que vale a pena viver.
Silêncio, é a vida de olhar inocente,
De quem um dia, irá isso perder;
É o mar dos olhos no horizonte ausente,
Quando chega a altura, de acontecer.
Silêncio, é ouvir o som do trovão,
Calar e esquecer, provar a loucura,
É nunca pensar com o coração
E perder-se para sempre, em qualquer parte escura.
Silêncio, é o amigo sempre leal,
Que, no traço insano, mostra o caminho,;
É a diferença entre o bem e o mal,
Entre o acompanhado e o sozinho.
Silêncio, é o fantasma da tortura,
O presente falso que dita a sorte,
É o grão e a semente da amargura,
E o momento final, antes da morte.
Silêncio, é o som quase calado,
Que fazem os lábios ao beijar;
É o suspiro fundo e agraciado;
Silêncio... é amar.
E é dentro que se solta a surdina,
De um pensamento a existir,
Avança afoito, qual criança ladina,
Teima em correr, chorar e sorrir;
E é por tal menina, travessa ser,
Que nunca se sabe o porquê do que se sente,
Resta-nos, só do silêncio saber,
Que procurando a verdade, em sí, nunca mente.
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