segunda-feira, 13 de julho de 2009

Morrer é

Não sei porque desatino,
mas talvez Ele o soubesse
quão tolo é o destino,
que, brincalhão, nos enlouquece;
que nos faz insandecer,
ao vislumbrar, perto, a sorte
e por ao vê-la, a querer
e ao perdê-la, ter a morte.
Pois, ainda que exista olhar,
não se pode dele viver,
nem se pode, sempre, sonhar,
mas não o fazer, é morrer....

Morrer é o fogo ateado,
que devora quem o nasceu;
é provar, doce, o pecado
e depois, perder o céu.

Morrer é ter de partir,
sem nunca ter chegado,
é ao infinito subir,
e descer sem ter achado...

Morrer é pensar que se sente,
sem nada se conhecer;
é ter algo dentro, dormente,
que tarda em aparecer...

Morrer é olhar a figura
e saber que nunca será;
é estar perdido, em parte escura,
esteja onde estiver, vá onde vá...

Morrer é quase tocar,
sem chegar, sem querer;
é ter a alegria de amar,
sem nunca a poder viver...

Morrer é olhar, pois, tao perto,
a candura abençoada;
é ver a água no deserto,
sem conseguir beber nada...

Morrer é a repetida vinganca,
que se arrasta e acompanha;
é ter, infame, esperança,
que se rascunha, mas nunca desenha...

Talvez, outrora, o Poeta,
soubesse do que eu, agora, falo;
talvez, no tempo que resta,
eu consiga aceitá-lo.
Pois mais que desaparecer,
abandonar a existência, partir,
morre-se mais, ao viver;
perde-se mais, ao sentir...

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