Lanço um olhar,
que se perde no horizonte;
onde será a sua fonte?
onde nascerá o mar?
porque será ele transaparente
mas coberto de azul?
será que tal como gente,
destingue o Norte do Sul?
Será que as vagas que ondulam,
o alimentam devagar?
ou apenas o empurram,
para algures longe quebrar?
Talvez decubra um dia,
porque se une ele ao céu;
talvez até a brisa fria
nasça nesse fino véu;
em que se perde a saída,
onde se espelha o luar;
no mar, nasce a vida,
perco-me eu a pensar...
A pensar no que ele esconde,
nos segredos que, em sí, encerra,
em que, mudo, nunca responde,
nem ao Ar, ao Sol ou à Terra.
O mar é sábio major,
de beleza total e razão,
o mar é hirto de dor,
o mar não tem coração;
O mar é o gigante calado,
que afoga o mundo, embutido,
olha-nos atento e pasmado,
dá momentos, mas nunca abrigo;
O mar é a bravura selvagem,
é a bonança repousante;
o mar é a incerta viagem,
é a cantiga do trovante;
O mar é ódio, é amor,
é furacão de sentimento;
O mar sou eu, és tu, é a dor
e todos o temos por dentro....
quinta-feira, 16 de julho de 2009
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